Estou de "férias" do Chile por 2 semanas... volto no dia 30 de dezembro, pra dizer como é o Reveillón pros lados de lá...
beijos!
martes, diciembre 26, 2006
martes, diciembre 12, 2006
E eu que pensei que meu nome era comum…
Não sei o que poderia haver de estranho em juntar dois nomes tão comuns – Ana e Paula.
Pois por algum motivo aqui no Chile assim é. Não que achem meu nome estranho, mas simplesmente quase não existem Anas Paulas chilenas. Posso dizer, pela primeira vez na vida, que tenho um nome “diferente”. Outro dia até disseram que acham meu nome “cool”. Bom, pelo menos não vou passar pelas crises que tinha no Brasil, quando tinha que ligar pra alguém e ficava horas pensando como eu iria me apresentar pra pessoa saber que eu era eu... (oi aqui é a “Ana”, “Aninha”, “Papoula”, “Ana Aleixo”, “Ana da ESPM”!!!)
O que mais me intriga é como podem achar Ana Paula um nome estranho, se aqui o mais comum são os nomes compostos. Mas nomes-nomes mesmo, e não Ana Maria, Maria Fernanda, Ana Carolina, como nós estamos acostumados.
Por aqui os nomes compostos são: Carolina Fernanda, Paula Ximena, Gabriela Florencia, Javiera María, Francisca Verónica e por aí vai... e depois vêm dizer que o meu simples “Ana Paula” é que é estranho?? Vai entender...
Pois por algum motivo aqui no Chile assim é. Não que achem meu nome estranho, mas simplesmente quase não existem Anas Paulas chilenas. Posso dizer, pela primeira vez na vida, que tenho um nome “diferente”. Outro dia até disseram que acham meu nome “cool”. Bom, pelo menos não vou passar pelas crises que tinha no Brasil, quando tinha que ligar pra alguém e ficava horas pensando como eu iria me apresentar pra pessoa saber que eu era eu... (oi aqui é a “Ana”, “Aninha”, “Papoula”, “Ana Aleixo”, “Ana da ESPM”!!!)
O que mais me intriga é como podem achar Ana Paula um nome estranho, se aqui o mais comum são os nomes compostos. Mas nomes-nomes mesmo, e não Ana Maria, Maria Fernanda, Ana Carolina, como nós estamos acostumados.
Por aqui os nomes compostos são: Carolina Fernanda, Paula Ximena, Gabriela Florencia, Javiera María, Francisca Verónica e por aí vai... e depois vêm dizer que o meu simples “Ana Paula” é que é estranho?? Vai entender...
domingo, diciembre 10, 2006
E ele se foi.
Posso dizer que vivi um dia histórico no Chile. O velho Pinochet, que já parecia ser imortal, hoje passou para o andar de cima (ou para o de baixo). O Chile pode ser considerado um país dividido entre os que o apoiam e os que não o apoiam. Existem esses dois grupos, ainda que dentro deles haja pessoas mais ou menos fanáticas, mais ou menos engajadas.
Mas eu me impressionei ao saber que há tantas pessoas que o idolatram, tratando-o como o homem que salvou o Chile, que impediu que o caos aqui se instalasse. Aliás, tenho lido vários comentários de pessoas que justificam a ditadura Pinochet com suas conquistas para o desenvolvimento econômico do Chile. Foi o seu governo que criou as bases econômicas para que o Chile se tornasse o país mais desenvolvido da América Latina. E foi seu governo que assassinou mais de 3.000 pessoas, torturou outras 30.000, e fez com que 1.000 famílias não soubessem até hoje onde estão parentes mortos.
Não existe justificativa para essas mortes. Nem desevolvimento econômico, nem nada.
Não quero aqui me alongar muito, pois há gente muito mais qualificada que eu que certamente saberá analisar melhor o que significou essa ditadura. Só quero escrever que eu não festejei a morte dele, aliás, como muitos chilenos. Teríamos festejado se ele tivesse pago por pelo menos 1% do que fez.
Já que morrer vamos morrer todos, que o castigo dele tivesse sido à altura dos seus feitos.
Mas eu me impressionei ao saber que há tantas pessoas que o idolatram, tratando-o como o homem que salvou o Chile, que impediu que o caos aqui se instalasse. Aliás, tenho lido vários comentários de pessoas que justificam a ditadura Pinochet com suas conquistas para o desenvolvimento econômico do Chile. Foi o seu governo que criou as bases econômicas para que o Chile se tornasse o país mais desenvolvido da América Latina. E foi seu governo que assassinou mais de 3.000 pessoas, torturou outras 30.000, e fez com que 1.000 famílias não soubessem até hoje onde estão parentes mortos.
Não existe justificativa para essas mortes. Nem desevolvimento econômico, nem nada.
Não quero aqui me alongar muito, pois há gente muito mais qualificada que eu que certamente saberá analisar melhor o que significou essa ditadura. Só quero escrever que eu não festejei a morte dele, aliás, como muitos chilenos. Teríamos festejado se ele tivesse pago por pelo menos 1% do que fez.
Já que morrer vamos morrer todos, que o castigo dele tivesse sido à altura dos seus feitos.
viernes, diciembre 08, 2006
Idioma chileno - pronúncias
Sim, aqui no chile não se fala castellano, mas chileno. Eles usam tantas expressões e palavras próprias e têm uma maneira tão peculiar de pronunciar as palavras, que falam praticamente um novo idioma.
Neste post vou falar um pouco da pronúncia de algumas letras e encontros vocálicos (esse eu busquei no meu arquivo de aulas de Português!).
Por exemplo, uma das coisas mais difíceis pra mim é identificar o “b” e o “v”. Simplesmente porque eles pronunciam essas duas letras da mesma forma. É um “b” quase “v”. Ou vice-versa. Por exemplo: quando pronunciam “Bilbao”, se escuta algo como “bvilbvao”. Ou então “bonito”, é como “bvonito”.
Outra coisa que eu achei muito engraçada na pronúncia deles, é que eles simplesmente não falam o som exato do SH ou do CH. Principalmente para as palavras que estão em inglês, a coisa fica bem curiosa. Portanto, você não vai ao “show” do U2, você vai ao “tchow” do U2. Muito menos passeia no “shopping”, mas sim no “tchoping”. E você não come um sushi ou um sashimi, mas sim um "sútchi" e um "satchími".
O som do G e o J, em palavras de outros idiomas, também sai como uma mistura de YE, YI, algo assim. Portanto, Jennifer é “Yienifer”. Maragogi, é “Maragoyi”. Gmail é “Yimail”.
Enfim, falar castellano no Chile é praticamente falar um idioma dentro de outro. No mínimo, curioso.
Neste post vou falar um pouco da pronúncia de algumas letras e encontros vocálicos (esse eu busquei no meu arquivo de aulas de Português!).
Por exemplo, uma das coisas mais difíceis pra mim é identificar o “b” e o “v”. Simplesmente porque eles pronunciam essas duas letras da mesma forma. É um “b” quase “v”. Ou vice-versa. Por exemplo: quando pronunciam “Bilbao”, se escuta algo como “bvilbvao”. Ou então “bonito”, é como “bvonito”.
Outra coisa que eu achei muito engraçada na pronúncia deles, é que eles simplesmente não falam o som exato do SH ou do CH. Principalmente para as palavras que estão em inglês, a coisa fica bem curiosa. Portanto, você não vai ao “show” do U2, você vai ao “tchow” do U2. Muito menos passeia no “shopping”, mas sim no “tchoping”. E você não come um sushi ou um sashimi, mas sim um "sútchi" e um "satchími".
O som do G e o J, em palavras de outros idiomas, também sai como uma mistura de YE, YI, algo assim. Portanto, Jennifer é “Yienifer”. Maragogi, é “Maragoyi”. Gmail é “Yimail”.
Enfim, falar castellano no Chile é praticamente falar um idioma dentro de outro. No mínimo, curioso.
Quando os Moura e Souza encontraram os Guerra

O encontro das duas famílias sempre é um momento de apreensão. Apesar de saber que meus pais iam se dar muito bem com meus sogros e cunhados, sempre dá aquele nervosinho. Mas graças a Deus minhas expectativas se confirmaram e tudo foi perfeito. Pai e mãe ficaram aqui em Santiago de 23 a 29 de novembro. Agora fica a esperança de um próximo encontro em breve!
As fotos do encontro (e todas as outras aqui de Santiago) você pode ver no meu Flickr
jueves, diciembre 07, 2006
Cidade grande do interior
Para mim até agora, viver em Santiago é como morar numa cidade grande do interior. Tem coisas de cidade grande, tem coisas de cidade do interior. O bairro que eu estou morando, por exemplo. Eu caminho aqui pelas ruas e me sinto em Sorocaba, Botucatu etc. Pode ser uma segunda-feira, 3 horas da tarde, e não escuto barulho de buzina, só canto de passarinho. Paro embaixo de uma amoreira e como amoras madurinhas. Caminho mais um pouco e entro numa pracinha com crianças brincando (e aos finais de semana até realejo tem). Mas se ando mais um pouco, chego ao supermercado Jumbo ultra mega plus, a uma Starbucks com Internet wi-fi, a uma avenida super movimentada... e aí já me lembro que estou numa cidade grande.
Por enquanto está assim. Estou adorando o meu bairro, a vista do meu apartamento (aí na foto ao lado), os vizinhos (até agora todos super simpáticos). Tá, sei que isso tá muito "romanticozinho", mas tem coisa melhor que ir se apaixonando aos poucos por uma nova cidade?!?!

Por enquanto está assim. Estou adorando o meu bairro, a vista do meu apartamento (aí na foto ao lado), os vizinhos (até agora todos super simpáticos). Tá, sei que isso tá muito "romanticozinho", mas tem coisa melhor que ir se apaixonando aos poucos por uma nova cidade?!?!
lunes, diciembre 04, 2006
E quando a terra tremer???
Uma das coisas que mais me causou estranheza, para não dizer que me assustou, desde que cheguei aqui, foi saber que no Chile é comum ter terremoto. Acreditem se quiser, todos com os quais conversei se lembram de terem sentido pelo menos 1 tremor de terra. Mas aqui eles tratam disso com tanta naturalidade como se estivessem falando de uma tempestade de verão, às quais nós brasileiros estamos mais que acostumados. Aliás, quando um chileno que esteve em São Paulo me descreveu o que sentiu quando vivenciou uma chuva de verão, pensei: para eles, esses são os nossos terremotos.

Também me lembro quando fui pela primeira vez a um cidade de praia daqui e me deparei com placas que indicavam rotas de evacuação em caso de tsunami. Meda. E aqui no meu prédio, então?? O que vocês sentiriam se toda vez que fossem tomar o elevador se deparassem com a plaquinha aí ao lado “em caso de incêncio ou de terremoto não use o elevador”?
Mas para que todos se tranquilizem, apesar de serem comuns no Chile, os terremotos não causam grandes transtornos em Santiago. Certamente os estragos que as chuvas fazem no Brasil ganham de longe dessas “tremedinhas” ingênuas...
Ainda não senti meu “primeiro tremor”, mas se isso ocorrer um dia... conto pra vocês se eu me portei bem ou se comecei a rezar “Santa Bárbara, São Jerônimo” que nem uma louca (essa expressão já foi muito usada pelos Moura e Souza).
E, por incrível que pareça, os tremores acabam por deixar a cidade mais bonita. Isso porque, por questões de segurança, a maioria dos prédios aqui não tem mais do que uns 14 andares. É uma sensação que há muito eu não sentia: olhar ao redor e ver 100% do céu. Ao final, sofrer com umas tremidinhas de vez em quando até que vale a pena.

Também me lembro quando fui pela primeira vez a um cidade de praia daqui e me deparei com placas que indicavam rotas de evacuação em caso de tsunami. Meda. E aqui no meu prédio, então?? O que vocês sentiriam se toda vez que fossem tomar o elevador se deparassem com a plaquinha aí ao lado “em caso de incêncio ou de terremoto não use o elevador”?
Mas para que todos se tranquilizem, apesar de serem comuns no Chile, os terremotos não causam grandes transtornos em Santiago. Certamente os estragos que as chuvas fazem no Brasil ganham de longe dessas “tremedinhas” ingênuas...
Ainda não senti meu “primeiro tremor”, mas se isso ocorrer um dia... conto pra vocês se eu me portei bem ou se comecei a rezar “Santa Bárbara, São Jerônimo” que nem uma louca (essa expressão já foi muito usada pelos Moura e Souza).
E, por incrível que pareça, os tremores acabam por deixar a cidade mais bonita. Isso porque, por questões de segurança, a maioria dos prédios aqui não tem mais do que uns 14 andares. É uma sensação que há muito eu não sentia: olhar ao redor e ver 100% do céu. Ao final, sofrer com umas tremidinhas de vez em quando até que vale a pena.
miércoles, noviembre 29, 2006
O primeiro dia de aula... em outro país.

Faz 2 semanas que estou vivendo em Santiago. Nunca imaginei que um dia eu iria sair do Brasil, mas também não me surpreendi com o caminho que tomei. Meus primeiros dias se pareceram como de outra viagem qualquer, tinha a sensação de que em uma semana iria voltar a São Paulo e iria seguir com minha vida. Mas depois de alguns dias é que você se dá conta que não se trata de uma viagem de turismo, e aos poucos se começa a tentar se acostumar a uma nova cultura, novas expressões, novos programas de tevê... e vêm as perguntas: quem é Pamela Díaz? O que significa “pasarlo chancho”? Como eles podem dizer “Irarrázaval” tão rapidamente? Será que algum dia eu vou conseguir pronunciar “huevón” como os chilenos? (em tempo: breve post sobre as gírias e expressões chilenas).
Eu me sinto como se estivesse começando a estudar num colégio novo, onde os outros alunos já se conhecessem faz anos e eu fosse a mais nova aluna. Dá medo, mas também é empolgante. Porque eu me lembro que quando era pequena e começava um novo ano letivo, eu morria de vontade de saber quem seria da minha turma, quantos alunos novos estariam na minha classe, que aulas eu iria ter. E é exatamente assim que eu me sinto. Adoro novidades e, portanto, já quero conhecer meus novos "coleguinhas", meus novos professores, as novas lições de casa.
A verdade é que eu acho que todos nós temos constantemente um primeiro dia de aula. Seja no Chile ou no Brasil, no trabalho ou na família, a melhor coisa da vida é continuar aprendendo e conhecendo coisas e pessoas novas. E o melhor é que num colégio, no final do ano, todos acabam se divertindo com as histórias e recordações de quando um era estranho para outro... e é assim que eu acho que vai ser: agora, eu e o Chile ainda estamos nos estranhando um pouco, mas no final tenho certeza de que seremos melhores amigos.
Em tempo: aos meus amigos e a minha família, que sempre serão meus amigos e minha família, digo: o coração da gente é infinito. Portanto, todos os que vierem a se somar às minhas amizades NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM substituirão vocês.
Esse post também foi publicado no Zancada, blog aqui do Chile para o qual eu escrevo. Para ler a versão em "miguelito", clique aqui.
jueves, noviembre 23, 2006
Ahi estamos, poh!
Depois de alguns meses de silêncio total, aqui estou eu de volta...
Muita coisa passou e eis que me vejo do outro lado da Cordilheira dos Andes. Quem diria!
Sempre que possível vou escrever sobre essa aventura que a vida me fez seguir. E principalmente sobre as loucuras desse lugar. Porque se tem uma coisa que eu adoro fazer é reparar na loucura dos outros! hihihi ou melhor jijiji!
Até mais.
Muita coisa passou e eis que me vejo do outro lado da Cordilheira dos Andes. Quem diria!
Sempre que possível vou escrever sobre essa aventura que a vida me fez seguir. E principalmente sobre as loucuras desse lugar. Porque se tem uma coisa que eu adoro fazer é reparar na loucura dos outros! hihihi ou melhor jijiji!
Até mais.
sábado, febrero 11, 2006
Dinheiro compra Educação???

Há umas duas semanas fui assistir a um filme com uma amiga no Shopping Iguatemi. O fato de pagar 20 reais para entrar no cinema não me assustou, primeiro por estarmos em São Paulo, depois por estarmos no Shopping Iguatemi, e depois por eu ter descoberto que os lugares eram marcados. "Dinheiro compra comodidade". Antes da sessão, caminhamos pelo shopping e a minha aventura pelo mundo da falta de educação começou. Grupos de adolescentes, obviamente custeados pelos pais, faziam a farra nas escadas rolantes, apertando o botão de emergência e travando os degraus cheios de gente. "São adolescentes, talvez eu já tenha tentado fazer isso quando tinha essa idade". Tentei pensar assim. Entramos na Sala de Cinema. O filme era o do George Clooney, "Boa Noite, e Boa Sorte", EXCELENTE por sinal. Recomendo a quem queira ver uma história dos bastidores da imprensa americana em pleno auge da Guerra Fria. Ou seja, puro conteúdo.
Entretanto, mal sabia eu que o enredo da história seria um pouco diferente. A trama que passava no telão ficou pequena diante da trama que acontecia nas poltronas da sala. Conversas, comentários, risadinhas inoportunas, foram apenas o começo da história. Celulares que tocavam e eram atendidos, "tiozinhos" que brigavam com os "pivetes", falta de respeito, falta de educação. Ao nosso lado, o trio parada dura, 3 senhoras que certamente estavam vestiam roupas que, juntas, custavam uns 10 salários mínimos, falavam sem parar. A um dado momento, minha calma foi pras cucuias e eu soltei um sonoro "SSSSHHHHHHHHHHHHHH". A reação das digníssimas? "Será que foi com a gente?"
ONDE É QUE ESTAMOS, DEUS MEU?!?!?
CADÊ O BOM SENSO NESSE MUNDO???
Se não gosta do filme, pegue a sua pipoca e saia de fininho, mas não venha atrapalhar as pessoas às quais 20 reais fazem, sim, diferença no orçamento, e que pagaram essa quantia em troca de um pouco mais de comodidade.
Então, é isso! DINHEIRO COMPRA COMODIDADE, MAS NÃO COMPRA EDUCAÇÃO E, MUITO MENOS, BOM SENSO.
Após essa inesquecível experiência, comentei com meus conhecidos o quão decepcionada fiquei com os freqüentadores do tão exclusivo Shopping Iguatemi. E qual não foi minha surpresa ao saber que boa parte das pessoas com as quais eu conversei também tinha tido a mesma impressão sobre esse cinema!
Minha amiga, ao sairmos da sessão, foi enfática: "agora eu me lembrei porque não estava mais vindo ao Cinema no Iguatemi".
Sim, infelizmente porque parece que aqueles que têm din din de sobra não sabem respeitar aqueles que valorizam o din din que têm.
No próximo filme, prefiro chegar um pouquinho mais cedo pra garantir o meu lugar, do que ter o lugar garantido, mas o respeito não.
miércoles, diciembre 14, 2005
Voltando à realidade?
Voltei pra São Paulo na sexta passada e ainda estou tentando me readaptar a essa cidade, se isso for possível.
A sensação de angústia, medo e ansiedade que me tomaram quando descia o avião misturaram-se com a impressão de que nada mudou e de que eu somente havia passado um fim de semana longe de casa.
Mas muita coisa mudou sim.
Em meio ao trânsito que parece só piorar, ao "fenômeno Bruna Surfistinha" (eu poderia ter ficado sem saber dessa), à lama no Planalto e ao nervosismo que o futebol ainda me causa, consegui listar algumas coisas das quais certamente vou sentir saudades em Buenos Aires:
- Poder caminhar pelas ruas
- Poder viver (bem) sem carro
- Os cafés com medialunas
- A linha de ônibus 110
- As praças, parques e a quantidade de árvores que deixam qualquer paulistano envergonhado
- O bairro de Palermo Viejo
- Os vinhos bons que custam menos de 10 pesos
- Os asados
- O sorvete de doce de leite caseiro com brownie da Persicco
- O sotaque porteño
- Os amigos
- O apartamento 10ºD
Por outro lado... não posso deixar de mencionar algumas coisinhas que, sinceramente, podem ficar lá na Argentina de vez:
- A poluição, principalmente dos ônibus
- A falta de educação dos motoristas argentinos para com os pedestres
- A imagem do Maradona como o Deus do universo
- O tango que toca incessantemente pelas ruas
- Os donos do meu ex-apartamento
Entre tantas coisas, só posso citar a frase do mestre. E ainda que ela tenha se tornado um chavão, faz todo o sentido.
"Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena"
Vou organizar as idéias, porque agora o momento é de ebulição, e voltar a escrever em breve.
A sensação de angústia, medo e ansiedade que me tomaram quando descia o avião misturaram-se com a impressão de que nada mudou e de que eu somente havia passado um fim de semana longe de casa.
Mas muita coisa mudou sim.
Em meio ao trânsito que parece só piorar, ao "fenômeno Bruna Surfistinha" (eu poderia ter ficado sem saber dessa), à lama no Planalto e ao nervosismo que o futebol ainda me causa, consegui listar algumas coisas das quais certamente vou sentir saudades em Buenos Aires:
- Poder caminhar pelas ruas
- Poder viver (bem) sem carro
- Os cafés com medialunas
- A linha de ônibus 110
- As praças, parques e a quantidade de árvores que deixam qualquer paulistano envergonhado
- O bairro de Palermo Viejo
- Os vinhos bons que custam menos de 10 pesos
- Os asados
- O sorvete de doce de leite caseiro com brownie da Persicco
- O sotaque porteño
- Os amigos
- O apartamento 10ºD
Por outro lado... não posso deixar de mencionar algumas coisinhas que, sinceramente, podem ficar lá na Argentina de vez:
- A poluição, principalmente dos ônibus
- A falta de educação dos motoristas argentinos para com os pedestres
- A imagem do Maradona como o Deus do universo
- O tango que toca incessantemente pelas ruas
- Os donos do meu ex-apartamento
Entre tantas coisas, só posso citar a frase do mestre. E ainda que ela tenha se tornado um chavão, faz todo o sentido.
"Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena"
Vou organizar as idéias, porque agora o momento é de ebulição, e voltar a escrever em breve.
martes, diciembre 06, 2005
Monsters Inc.
Que o povo argentino é bonito, isso todos já sabem. Mas agora chegou a vez de eu cumprir meu papel de mulher e soltar um pouquinho de veneno. Vou contar-lhes o lado obscuro da mulher argentina.
O título desse post não é exagero, não. Aqui, é muito comum nos depararmos com um verdadeiro show de horror. Ressalto que esse post é fruto de conhecimento empírico, do famoso: "meninos, eu vi!!"; ninguém me falou, ninguém me contou, eu mesma experimentei a visão do inferno.
Bom, se por um lado a mulher argentina é quase sempre magra, tem cabelos lisos, enfim, tem tudo para parecer-se uma modelete, por outro lado existem as:
botocadas: o fenômeno botox também chegou aqui. Caminhando pela rua, é fácil encontrar mulheres com cara de peixe, de tão bocudas e sem expressão;
repuxadas: um dado importante é que a Argentina é um dos países em que a cirurgia plástica é mais acessível à população. Só que tem gente que quer aproveitar ao máximo, e aí exagera na dose. É pele repuxada daqui, pálpebra levantada dali, e um resultado monstruoso. Mulheres com expressão de um constante susto.
curtidas pelo sol: a cidade de Buenos Aires não tem praia mas o povo é viciado em sol. Por isso, quando faz tempo bom as praças e parques ficam cheios. Só que me parece que parte das mulheres se esquece de um elemento fundamental: filtro solar. Aquela canção "use filtro solar" agora faz mais sentido do que nunca para mim. Os efeitos do sol nas peles de algumas mulheres resultam em peles manchadas, sem elasticidade, e com uma coloração de "carne curtida". Terrível.
anoréxicas: quando eu li uma matéria que dizia que a Argentina era o segundo país com o maior índice de anorexia, fiquei impressionada. Mas quando eu comecei a ver com uma certa freqüência mulheres anoréxicas, aí eu fiquei chocada. É sério, já cruzei diversas vezes com mulheres que me deram a sensação de que se eu desse um tapinha nelas, quebraria algum osso.
híbridas: assim como escrevi no post sobre os mullets, as mulheres também podem ter características de uma ou mais categorias. Uma mulher curtida pelo sol e com a pele toda repuxada. Ou uma que tem a boca maior que a da Daniela Cicarelli e é mais magra que a Sandy. E por aí vai...
E, antes de finalizar, um comentário importante: para aqueles que pensem, "nossa, como a Ana é maldosa", repito: tudo isso é fruto de OBSERVAÇÃO! E em momento algum generalizo minhas conclusões. Existem mulheres maravilhosas aqui. Mas que a Argentina tem suas monstrinhas, isso tem.
Besos.
O título desse post não é exagero, não. Aqui, é muito comum nos depararmos com um verdadeiro show de horror. Ressalto que esse post é fruto de conhecimento empírico, do famoso: "meninos, eu vi!!"; ninguém me falou, ninguém me contou, eu mesma experimentei a visão do inferno.
Bom, se por um lado a mulher argentina é quase sempre magra, tem cabelos lisos, enfim, tem tudo para parecer-se uma modelete, por outro lado existem as:
botocadas: o fenômeno botox também chegou aqui. Caminhando pela rua, é fácil encontrar mulheres com cara de peixe, de tão bocudas e sem expressão;
repuxadas: um dado importante é que a Argentina é um dos países em que a cirurgia plástica é mais acessível à população. Só que tem gente que quer aproveitar ao máximo, e aí exagera na dose. É pele repuxada daqui, pálpebra levantada dali, e um resultado monstruoso. Mulheres com expressão de um constante susto.
curtidas pelo sol: a cidade de Buenos Aires não tem praia mas o povo é viciado em sol. Por isso, quando faz tempo bom as praças e parques ficam cheios. Só que me parece que parte das mulheres se esquece de um elemento fundamental: filtro solar. Aquela canção "use filtro solar" agora faz mais sentido do que nunca para mim. Os efeitos do sol nas peles de algumas mulheres resultam em peles manchadas, sem elasticidade, e com uma coloração de "carne curtida". Terrível.
anoréxicas: quando eu li uma matéria que dizia que a Argentina era o segundo país com o maior índice de anorexia, fiquei impressionada. Mas quando eu comecei a ver com uma certa freqüência mulheres anoréxicas, aí eu fiquei chocada. É sério, já cruzei diversas vezes com mulheres que me deram a sensação de que se eu desse um tapinha nelas, quebraria algum osso.
híbridas: assim como escrevi no post sobre os mullets, as mulheres também podem ter características de uma ou mais categorias. Uma mulher curtida pelo sol e com a pele toda repuxada. Ou uma que tem a boca maior que a da Daniela Cicarelli e é mais magra que a Sandy. E por aí vai...
E, antes de finalizar, um comentário importante: para aqueles que pensem, "nossa, como a Ana é maldosa", repito: tudo isso é fruto de OBSERVAÇÃO! E em momento algum generalizo minhas conclusões. Existem mulheres maravilhosas aqui. Mas que a Argentina tem suas monstrinhas, isso tem.
Besos.
sábado, diciembre 03, 2005
Isso aqui é um pouquinho de Brasil...
Pode parecer clichê, mas é mais pura verdade: brasileiro não tem igual. Olha, não querendo ser ufanista e essas coisas, mas quando brasileiro se junta, é pura alegria.
Digo isso porque nesse último sábado minha prima Pat e seu namorado Martin fizeram uma festa de final de ano na casa deles.
Vamos dizer que 20% dos presentes eram brasileiros, muitos ainda não se conheciam entre si. E 5 minutos bastaram pra nos juntarmos na bancada, fazermos boas caipirinhas, caipiroskas, batidinhas e afins, contarmos histórias engraçadas, compartilharmos experiências, darmos muita risada... Mais que nunca, me senti em casa.
Em certo momento, os músicos presentes - todos argentinos, diga-se de passagem - se juntaram numa batucada coletiva, com pandeiros, tambores improvisados, sinos e etcs., e o resultado foi que nos esbaldamos de cantar Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Luiz Gonzaga... escutar uma sala com 80% de estrangeiros cantando: "é água no mar... é maré cheia ô, mareia ô, mareia..." foi algo indescritível: uma autêntica roda de samba brasileiro em território portenho.
Tudo isso me fez pensar que, para se estar no Brasil, não é preciso estar no Brasil. O clima e a energia do nosso país nós os carregamos para onde quer que seja. Por isso cada vez mais tenho a certeza de que, aonde quer que eu esteja, sempre vou dar um jeito de estar no meu país.
Aí vão algumas fotos tiradas na noite.

Eu, minha prima Pat ao centro, e Ana Paula, brasileira que vive aqui em BsAs.

Balcão das caipirinhas - Analía, Hernan, Pat, Ana e eu

Batucada e samba no pé

Batucada
Digo isso porque nesse último sábado minha prima Pat e seu namorado Martin fizeram uma festa de final de ano na casa deles.
Vamos dizer que 20% dos presentes eram brasileiros, muitos ainda não se conheciam entre si. E 5 minutos bastaram pra nos juntarmos na bancada, fazermos boas caipirinhas, caipiroskas, batidinhas e afins, contarmos histórias engraçadas, compartilharmos experiências, darmos muita risada... Mais que nunca, me senti em casa.
Em certo momento, os músicos presentes - todos argentinos, diga-se de passagem - se juntaram numa batucada coletiva, com pandeiros, tambores improvisados, sinos e etcs., e o resultado foi que nos esbaldamos de cantar Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Luiz Gonzaga... escutar uma sala com 80% de estrangeiros cantando: "é água no mar... é maré cheia ô, mareia ô, mareia..." foi algo indescritível: uma autêntica roda de samba brasileiro em território portenho.
Tudo isso me fez pensar que, para se estar no Brasil, não é preciso estar no Brasil. O clima e a energia do nosso país nós os carregamos para onde quer que seja. Por isso cada vez mais tenho a certeza de que, aonde quer que eu esteja, sempre vou dar um jeito de estar no meu país.
Aí vão algumas fotos tiradas na noite.

Eu, minha prima Pat ao centro, e Ana Paula, brasileira que vive aqui em BsAs.

Balcão das caipirinhas - Analía, Hernan, Pat, Ana e eu

Batucada e samba no pé

Batucada
viernes, noviembre 18, 2005
O argentino e os peidos
Calma, antes que você pense que eu vou falar sobre nosso gás natural, explico. O idioma espanhol tem certas palavras, expressões ou “soluções lingüísticas” muito curiosas. Por exemplo, aqui quando se diz “ahora ya te explico”, não significa que a pessoa vai te explicar agora agora, mas sim daqui a pouquinho.
Ja outras palavras praticamente te fazem perder qualquer respeito pelas pessoas. Afinal, o que dizer de um povo que chama cachecol de "bufanda" (parece buzanfa), tomada de "enchufe", espirro de "estornudo", e o melhor, privada de "inodoro"?? Sim, vaso sanitario aqui se chama inodoro. Quer coisa mais contraditoria???
Por outro lado, há algumas expressões informais que eu pensei que só existissem no português, mas que aqui também são usadas. Quem diria que a expressão “nem a pau” tivesse seu correspondente em espanhol? “Ni a palo”. Gostou? Caiu a ficha? Ou melhor, "te cayo la ficha?" (sim, essa tambem).
Mas o melhor está por vir. Aqui na Argentina a palavra peido tem várias utilizações. A primeira vez que eu escutei, pensei: “não, deve ser outra coisa, “pedo” não deve significar “peido”. Ledo engano. Bom, basta de introduções e vamos aos exemplos:
Você está em casa, sem fazer nada, na vagabundagem? Então “estás al pedo”.
Você sai de casa especialmente para conhecer um restaurante novo, super bacana, que fica longe, e quando chega lá ele está fechado? Então, “fuiste al pedo”.
Decide ir para um bar com os amigos e depois de 3 garrafas de vinho e 15 chopps, podemos dizer que “ustedes están en pedo”.
No dia seguinte, acorda atrasado e sai correndo para o trabalho ou, em outras palavras, “andás a los pedos”.
Tem que fazer um trabalho super difícil e que, surpreendentemente, você resolve de forma fácil. Alguém te pergunta como você fez isso e você responde: “no sé, me salió de pedo!”
Agora, o mais engraçado é pensar nessas mesmas expressões em português. “Oi, não, não estou fazendo nada, tô aqui em casa ao peido”. “Putz, viemos só para conhecer esse lugar e ele está fechado! A gente veio ao peido, então…”. “Gente, acho que bebi um pouquinho demais, tô em peido!”. “Ih, olha la a Ana andando aos peidos, deve estar atrasada de novo pro trabalho...". “Juro que não sei como resolvi esse problema, me saiu de peido!”
No mínimo, curioso… isso sem contar a quantidade de vezes que se utiliza a palavra “cagar” em suas variações. “No me cagues…”, “eso es una cagada”, e por aí vai.
Minha prima Pat que mora aqui fez uma observação interessante. Parece que os argentinos não saíram da fase anal da psicoanálise.
Enfim, Freud explica!
Besos.
Ja outras palavras praticamente te fazem perder qualquer respeito pelas pessoas. Afinal, o que dizer de um povo que chama cachecol de "bufanda" (parece buzanfa), tomada de "enchufe", espirro de "estornudo", e o melhor, privada de "inodoro"?? Sim, vaso sanitario aqui se chama inodoro. Quer coisa mais contraditoria???
Por outro lado, há algumas expressões informais que eu pensei que só existissem no português, mas que aqui também são usadas. Quem diria que a expressão “nem a pau” tivesse seu correspondente em espanhol? “Ni a palo”. Gostou? Caiu a ficha? Ou melhor, "te cayo la ficha?" (sim, essa tambem).
Mas o melhor está por vir. Aqui na Argentina a palavra peido tem várias utilizações. A primeira vez que eu escutei, pensei: “não, deve ser outra coisa, “pedo” não deve significar “peido”. Ledo engano. Bom, basta de introduções e vamos aos exemplos:
Você está em casa, sem fazer nada, na vagabundagem? Então “estás al pedo”.
Você sai de casa especialmente para conhecer um restaurante novo, super bacana, que fica longe, e quando chega lá ele está fechado? Então, “fuiste al pedo”.
Decide ir para um bar com os amigos e depois de 3 garrafas de vinho e 15 chopps, podemos dizer que “ustedes están en pedo”.
No dia seguinte, acorda atrasado e sai correndo para o trabalho ou, em outras palavras, “andás a los pedos”.
Tem que fazer um trabalho super difícil e que, surpreendentemente, você resolve de forma fácil. Alguém te pergunta como você fez isso e você responde: “no sé, me salió de pedo!”
Agora, o mais engraçado é pensar nessas mesmas expressões em português. “Oi, não, não estou fazendo nada, tô aqui em casa ao peido”. “Putz, viemos só para conhecer esse lugar e ele está fechado! A gente veio ao peido, então…”. “Gente, acho que bebi um pouquinho demais, tô em peido!”. “Ih, olha la a Ana andando aos peidos, deve estar atrasada de novo pro trabalho...". “Juro que não sei como resolvi esse problema, me saiu de peido!”
No mínimo, curioso… isso sem contar a quantidade de vezes que se utiliza a palavra “cagar” em suas variações. “No me cagues…”, “eso es una cagada”, e por aí vai.
Minha prima Pat que mora aqui fez uma observação interessante. Parece que os argentinos não saíram da fase anal da psicoanálise.
Enfim, Freud explica!
Besos.
sábado, noviembre 05, 2005
Mullets: informaçao adicional
Na emoção de escrever sobre os mullets, acabei esquecendo de colocar um detalhe, no mínimo, curioso. Graças à contribuição do meu amigo Carlão, agora apresento a vocês a versão mais que fashion dos mullets. Aqui, até os manequins usam mullets. Isso mesmo. Numa loja bacana, com roupas bacanas, nada melhor que fazer com que os manequins reflitam o ideal de imagem dos consumidores não? Pois então, coloque uma peruquinha mullet no seu manequim e garanta o sucesso de seu negócio!
miércoles, noviembre 02, 2005
Mullets: ter ou nao ter, eis a questao.
Uma coisa que eu não entendo nos argentinos: como um país que tem uma das maiores concentrações de pessoas bonitas, ao mesmo tempo tem a maior concentração de usuários de mullets. Aos que por algum motivo não conhecem esse termo, explico: mullets é um modelo de corte que se caracteriza por cabelos mais curtos por toda a cabeça mas que na parte da nuca apresenta fios, em pequena ou grande quantidade, mais longos. Em palavras mais simples: é o famoso estilo “Chitãozinho”.
Por isso, achei mais do que necessário abrir um tópico para falar dessa moda de corte capilar que, por motivos que eu ainda desconheço, faz sucesso aqui entre homens e mulheres. O fato é que passar o tempo inteiro me deparando com usuários de mullets me fez categorizá-los. Sim, a moda aqui está tão “evoluída” que podemos classificar os distintos modelos. Infelizmente não pude fotografar todas as categorias para ilustrar esse show de horror, mas conto com minha capacidade de descrição e com a capacidade de imaginação de vocês.
- Tradicional: O mullet tradicional é aquele que o corte de cabelo ao longo da cabeça é simples, sem muitas inovações, e a parte da nuca é quase uma “extensão natural” do resto do cabelo. É aquela coisa: você vê o usuário de frente, pensa: “cabelo normalzinho”, mas quando ele se vira você percebe que o cabelo normalzinho adquiriu um comprimento um pouquinho maior do que o necessário na parte de trás da cabeça.
- Mega mullet: O mega mullet tem tudo a ver com o desleixo. Seria comparável à barriga do homem. Antes de casar, ele se cuida, fica com a barriguinha OK, mas depois que já é um pouco mais velho, já está casado, estável no emprego e não precisa impressionar mais ninguém, deixa a barriga desenvolver-se do jeito que ela quiser.
O mesmo acontece com seu mullet. Nota-se que o homem já não se importa com a aparência que adquiriu seu cabelo, o qual pode atingir um comprimento assombroso. Uma das fotos que eu consegui tirar foi justamente de um mega-mullet. Vejam e tirem suas próprias conclusões.
- Arrumadinho: Engana-se quem pensa que os mullets só são usados pelos desleixados ou fora de moda. Essa categoria de mullet é encontrada principalmente em jovens entre 21 e 30 anos, que trabalham no centro e usam terno e gravata durante o dia e camisas para dentro da calça quando saem à noite. Nota-se um cuidado muito grande com o mullet. Normalmente o cabelo é bem cortadinho, aparado, e o mullet pode se resumir a apenas uns “cachinhos”, ou uma partezinha um pouquinho maiorzinha na minha nuquinha. Enfim, o típico mullet mauricinho.
- Moicano: essa é uma variação dos meninos alternativos. Porque quem pensa que mullet só é usado pelos mais tradicionais, também está muito enganado. Os alternativos de Buenos Aires também adotaram esse penteado. Bom, nesse caso é simples. Um corte moicano (ou estilo punk), só que se estende mais do que o necessário na parte de trás. Sinceramente, às vezes toma proporções tão grandes que parece que o rapaz colocou um peixe em cima da cabeça, e o rabo ficou cobrindo a nuca. Ok... sei que a comparação foi meio forçada, mas foi o que me ocorreu.
- Rasta: também usado pela parte moderna e alternativa dos meninos portenhos. É algo terrível. Não é que todo o cabelo do rapaz é rasta. É só o mullet. Ele pode ter cabelo raspadinho, um pouco mais comprido, liso, crespo, mas só o mullet é rasta. E aí encontramos variações. O mullet pode ser constituído de um único rasta, solitário, praticamente um “tererê”, ou pode ser numeroso.
- Feminino: Para quem até agora só viu homens usando mullets, les presento la versión femenina! Sim, as meninas aqui também sucumbiram a essa moda. Nesse caso é um corte no qual o cabelo é repicado por toda a cabeça, e na parte de trás, obviamente, é comprido. Algumas versões são mais sutis, mas outras...
Principalmente quando o repicado é bem radical ou quando o cabelo não é tããão lisinho assim, fica uma espécie de “capacetinho” acompanhado dos fios mais compridos na nuca. E quando elas cismam em prender o mullet em um rabo de cavalo então... nossa. Sem comentários. Também tirei uma foto de uma menina mullet, mas ficou desfocada. Espero que dê para se ter uma idéia...
Híbrido: É claro que o ato de categorizar limita muito qualquer análise. E é por isso que existem os mullets híbridos, ou seja, aqueles que podem ter uma ou mais características de uma ou mais classes. A ordem é usar a imaginação, não ter medo do ridículo, e fazer o mullet a sua maneira!
Alguém se habilita???
Besos.
Por isso, achei mais do que necessário abrir um tópico para falar dessa moda de corte capilar que, por motivos que eu ainda desconheço, faz sucesso aqui entre homens e mulheres. O fato é que passar o tempo inteiro me deparando com usuários de mullets me fez categorizá-los. Sim, a moda aqui está tão “evoluída” que podemos classificar os distintos modelos. Infelizmente não pude fotografar todas as categorias para ilustrar esse show de horror, mas conto com minha capacidade de descrição e com a capacidade de imaginação de vocês.
- Tradicional: O mullet tradicional é aquele que o corte de cabelo ao longo da cabeça é simples, sem muitas inovações, e a parte da nuca é quase uma “extensão natural” do resto do cabelo. É aquela coisa: você vê o usuário de frente, pensa: “cabelo normalzinho”, mas quando ele se vira você percebe que o cabelo normalzinho adquiriu um comprimento um pouquinho maior do que o necessário na parte de trás da cabeça.
- Mega mullet: O mega mullet tem tudo a ver com o desleixo. Seria comparável à barriga do homem. Antes de casar, ele se cuida, fica com a barriguinha OK, mas depois que já é um pouco mais velho, já está casado, estável no emprego e não precisa impressionar mais ninguém, deixa a barriga desenvolver-se do jeito que ela quiser.
O mesmo acontece com seu mullet. Nota-se que o homem já não se importa com a aparência que adquiriu seu cabelo, o qual pode atingir um comprimento assombroso. Uma das fotos que eu consegui tirar foi justamente de um mega-mullet. Vejam e tirem suas próprias conclusões.- Arrumadinho: Engana-se quem pensa que os mullets só são usados pelos desleixados ou fora de moda. Essa categoria de mullet é encontrada principalmente em jovens entre 21 e 30 anos, que trabalham no centro e usam terno e gravata durante o dia e camisas para dentro da calça quando saem à noite. Nota-se um cuidado muito grande com o mullet. Normalmente o cabelo é bem cortadinho, aparado, e o mullet pode se resumir a apenas uns “cachinhos”, ou uma partezinha um pouquinho maiorzinha na minha nuquinha. Enfim, o típico mullet mauricinho.
- Moicano: essa é uma variação dos meninos alternativos. Porque quem pensa que mullet só é usado pelos mais tradicionais, também está muito enganado. Os alternativos de Buenos Aires também adotaram esse penteado. Bom, nesse caso é simples. Um corte moicano (ou estilo punk), só que se estende mais do que o necessário na parte de trás. Sinceramente, às vezes toma proporções tão grandes que parece que o rapaz colocou um peixe em cima da cabeça, e o rabo ficou cobrindo a nuca. Ok... sei que a comparação foi meio forçada, mas foi o que me ocorreu.
- Rasta: também usado pela parte moderna e alternativa dos meninos portenhos. É algo terrível. Não é que todo o cabelo do rapaz é rasta. É só o mullet. Ele pode ter cabelo raspadinho, um pouco mais comprido, liso, crespo, mas só o mullet é rasta. E aí encontramos variações. O mullet pode ser constituído de um único rasta, solitário, praticamente um “tererê”, ou pode ser numeroso.
- Feminino: Para quem até agora só viu homens usando mullets, les presento la versión femenina! Sim, as meninas aqui também sucumbiram a essa moda. Nesse caso é um corte no qual o cabelo é repicado por toda a cabeça, e na parte de trás, obviamente, é comprido. Algumas versões são mais sutis, mas outras...
Principalmente quando o repicado é bem radical ou quando o cabelo não é tããão lisinho assim, fica uma espécie de “capacetinho” acompanhado dos fios mais compridos na nuca. E quando elas cismam em prender o mullet em um rabo de cavalo então... nossa. Sem comentários. Também tirei uma foto de uma menina mullet, mas ficou desfocada. Espero que dê para se ter uma idéia... Híbrido: É claro que o ato de categorizar limita muito qualquer análise. E é por isso que existem os mullets híbridos, ou seja, aqueles que podem ter uma ou mais características de uma ou mais classes. A ordem é usar a imaginação, não ter medo do ridículo, e fazer o mullet a sua maneira!
Alguém se habilita???
Besos.
miércoles, octubre 26, 2005
A presença de mamita
Amigos, antes de mais nada, peço desculpas pela demora nessa atualização. Semana passada minha mãe esteve aqui comigo e, entre passeios, almoços, jantares, comemorações e mudança de apartamento, não tive condições de sentar em frente ao computador.
Por isso, dessa vez vou postar mais fotos que palavras. As fotos da coluna esquerda são de nossa viagem a Colônia, no Uruguai. O barco que nos leva parece um avião flutuante, e Colônia é uma cidade linda e que, por ter sido colonizada também pelos portugueses, lembra muito nossas cidades históricas, especialmente Paraty.
As duas outras fotos 'a direita foram tiradas no dia do aniversário da minha mãe, quando fomos jantar no Asia de Cuba, misto de bar, restaurante e danceteria. Muito lindo.
Bom, por agora é só, mas aguardem que um capítulo especial sobre os mullets dos argentinos está vindo aí...
PS: Desculpem-me, mas como estou num outro computador a configuração das imagens ficou um cocô de cachorro argentino.











Por isso, dessa vez vou postar mais fotos que palavras. As fotos da coluna esquerda são de nossa viagem a Colônia, no Uruguai. O barco que nos leva parece um avião flutuante, e Colônia é uma cidade linda e que, por ter sido colonizada também pelos portugueses, lembra muito nossas cidades históricas, especialmente Paraty.
As duas outras fotos 'a direita foram tiradas no dia do aniversário da minha mãe, quando fomos jantar no Asia de Cuba, misto de bar, restaurante e danceteria. Muito lindo.
Bom, por agora é só, mas aguardem que um capítulo especial sobre os mullets dos argentinos está vindo aí...
PS: Desculpem-me, mas como estou num outro computador a configuração das imagens ficou um cocô de cachorro argentino.











miércoles, octubre 12, 2005
"El Aura" e a cultura argentina
Ontem fui ver o filme El Aura, produção argentina que estreou há cerca de 1 mês e é sucesso absoluto. Sobre o filme não quero falar muito, só adianto que é ótimo. Ele foi dirigido pelo Fabián Belinsky, o mesmo diretor de 9 Rainhas. Quem viu, sabe que o cara é bom. Portanto, recomendo que vocês o assistam (imagino que já esteja aí em SP).
Mas na verdade o filme foi um pretexto para falar um pouco sobre a produção cultural aqui na Argentina, especialmente em Buenos Aires. Na verdade o assunto rende muitas linhas escritas, por isso vou me restringir a alguns poucos exemplos. Percebo que as iniciativas na área da cultura são visíveis e não dependem exclusivamente do poder público. É como se existisse um movimento contínuo, um calendário extenso de mostras, filmes, festivais, realizados tanto pelos órgãos oficiais da cultura, quanto pelos produtores independentes.
A Secretaria de Cultura de Buenos Aires tem programas diversos, desde iniciativas voltadas para a chamada “cultura de bairro” até grandes ações, como exposições de arte, mostras de teatro e filmes. Por exemplo, durante todo o mês de Setembro aconteceu o Festival Internacional de Buenos Aires, com o foco voltado mais para as produções teatrais. Houve apresentações de dezenas de grupos internacionais, e mais uma programação dedicada às companhias de teatro/dança locais. Vale lembrar que todos os espetáculos dos grupos argentinos tiveram entrada gratuita. Os resultados foram fantásticos, mais de 100.000 pessoas assistiram às peças e às atividades paralelas.
Na última semana de Setembro aconteceu o Festival de Arte de Buenos Aires, com diversas atividades relacionadas às artes cênicas e visuais. Para fechar o festival, realizou-se a “Noite dos Museus”, sábado em que 53 museus da capital abriram suas portas das 19h às 2h da manhã, com entrada gratuita e oferecendo, além de visitas monitoradas, atividades paralelas como shows, oficinas e encontros variados. A festa oficial de encerramento desse festival aconteceu em frente à Direção Geral dos Museus, em Puerto Madero, com apresentações de grupos musicais diversos e DJs.
Por outro lado, a produção cultural independente também é muito rica. Isso eu já tinha percebido quando cheguei aqui, depois confirmei minhas impressões conversando com minha prima e outros conhecidos. Justamente pelas dificuldades que o país enfrenta, os grupos independentes se mobilizaram de uma maneira jamais vista e produzem mostras coletivas, festivais de música, criam centros culturais comunitários, e por aí vai. Nada de ficar parado lamentando a crise, a ordem é juntar-se a pessoas com interesses comuns e fazer acontecer.
Com isso, percebo que, ainda que a cultura aqui sofra os mesmos problemas que em qualquer país da América Latina, especialmente com relação à ausência de uma política cultural bem definida e à constante falta de verbas, as iniciativas para se tentar uma nova aproximação e abordagem junto ao público em geral são evidentes. Todas estas iniciativas obtêm resultados visiveis e, no final, quem ganha é toda a cidade. É claro que existem muitas limitações, e o debate sobre o “acesso à cultura” é permanente e está longe de ser totalmente resolvido. Mas os exemplos que eu mencionei nesse texto mostram que para se produzir uma cultura acessível e com um mínimo de qualidade, antes de dinheiro, é necessário vontade.
E, voltando ao tema inicial desse texto, não é à toa que o cinema argentino cresce cada vez mais. Como resposta ao investimento feito nas produções nacionais, o filme El Aura, junto com mais duas outras produções argentinas, foram os mais vistos nos últimos finais de semana, à frente das produções estrangeiras.
Bom, e para finalizar, uma novidade. Vou começar a fazer um trabalho voluntário numa fundação criada por um artista plástico argentino, e que tem justamente o propósito de criar uma comunidade de artistas e não-artistas para incentivar a produção cultural argentina. Depois conto pra vocês com mais detalhes...
Besos.
Mas na verdade o filme foi um pretexto para falar um pouco sobre a produção cultural aqui na Argentina, especialmente em Buenos Aires. Na verdade o assunto rende muitas linhas escritas, por isso vou me restringir a alguns poucos exemplos. Percebo que as iniciativas na área da cultura são visíveis e não dependem exclusivamente do poder público. É como se existisse um movimento contínuo, um calendário extenso de mostras, filmes, festivais, realizados tanto pelos órgãos oficiais da cultura, quanto pelos produtores independentes.
A Secretaria de Cultura de Buenos Aires tem programas diversos, desde iniciativas voltadas para a chamada “cultura de bairro” até grandes ações, como exposições de arte, mostras de teatro e filmes. Por exemplo, durante todo o mês de Setembro aconteceu o Festival Internacional de Buenos Aires, com o foco voltado mais para as produções teatrais. Houve apresentações de dezenas de grupos internacionais, e mais uma programação dedicada às companhias de teatro/dança locais. Vale lembrar que todos os espetáculos dos grupos argentinos tiveram entrada gratuita. Os resultados foram fantásticos, mais de 100.000 pessoas assistiram às peças e às atividades paralelas.
Na última semana de Setembro aconteceu o Festival de Arte de Buenos Aires, com diversas atividades relacionadas às artes cênicas e visuais. Para fechar o festival, realizou-se a “Noite dos Museus”, sábado em que 53 museus da capital abriram suas portas das 19h às 2h da manhã, com entrada gratuita e oferecendo, além de visitas monitoradas, atividades paralelas como shows, oficinas e encontros variados. A festa oficial de encerramento desse festival aconteceu em frente à Direção Geral dos Museus, em Puerto Madero, com apresentações de grupos musicais diversos e DJs.
Por outro lado, a produção cultural independente também é muito rica. Isso eu já tinha percebido quando cheguei aqui, depois confirmei minhas impressões conversando com minha prima e outros conhecidos. Justamente pelas dificuldades que o país enfrenta, os grupos independentes se mobilizaram de uma maneira jamais vista e produzem mostras coletivas, festivais de música, criam centros culturais comunitários, e por aí vai. Nada de ficar parado lamentando a crise, a ordem é juntar-se a pessoas com interesses comuns e fazer acontecer.
Com isso, percebo que, ainda que a cultura aqui sofra os mesmos problemas que em qualquer país da América Latina, especialmente com relação à ausência de uma política cultural bem definida e à constante falta de verbas, as iniciativas para se tentar uma nova aproximação e abordagem junto ao público em geral são evidentes. Todas estas iniciativas obtêm resultados visiveis e, no final, quem ganha é toda a cidade. É claro que existem muitas limitações, e o debate sobre o “acesso à cultura” é permanente e está longe de ser totalmente resolvido. Mas os exemplos que eu mencionei nesse texto mostram que para se produzir uma cultura acessível e com um mínimo de qualidade, antes de dinheiro, é necessário vontade.
E, voltando ao tema inicial desse texto, não é à toa que o cinema argentino cresce cada vez mais. Como resposta ao investimento feito nas produções nacionais, o filme El Aura, junto com mais duas outras produções argentinas, foram os mais vistos nos últimos finais de semana, à frente das produções estrangeiras.
Bom, e para finalizar, uma novidade. Vou começar a fazer um trabalho voluntário numa fundação criada por um artista plástico argentino, e que tem justamente o propósito de criar uma comunidade de artistas e não-artistas para incentivar a produção cultural argentina. Depois conto pra vocês com mais detalhes...
Besos.
viernes, octubre 07, 2005
Missão cumprida
Ontem foi meu último dia de curso de espanhol. Mais uma vez fiquei com a sensação de que tudo passa muito rápido! Comecei outro dia e já se foram 2 meses... Por outro lado, tenho a sensação de que estou aqui faz muito tempo.

Bom, apresento a vocês alguns dos meus amigos do curso. Tiramos essas fotos logo depois do exame oral, no café que fica em frente à universidade. O que valeu a pena nesse curso, mais que estudar espanhol, foi conhecer gente com percursos tão diferentes. Alguns deles continuam aqui em Buenos Aires, outros seguem viagem, outros voltam às suas origens. O Michael, da Australia, veio aproveitar parte de suas férias em BsAs com sua namorada e mais um casal de amigos e agora segue viagem pela América do Sul. Já para o outro Michael, alemão, o motivo de sua vinda para Buenos Aires foi sua namorada argentina, que ele conheceu faz 5 anos pela Internet. A Marjorie e a Rebecca, vieram para cá com uma bolsa de estudos, e estão estudando em faculdades daqui.


Bom, apresento a vocês alguns dos meus amigos do curso. Tiramos essas fotos logo depois do exame oral, no café que fica em frente à universidade. O que valeu a pena nesse curso, mais que estudar espanhol, foi conhecer gente com percursos tão diferentes. Alguns deles continuam aqui em Buenos Aires, outros seguem viagem, outros voltam às suas origens. O Michael, da Australia, veio aproveitar parte de suas férias em BsAs com sua namorada e mais um casal de amigos e agora segue viagem pela América do Sul. Já para o outro Michael, alemão, o motivo de sua vinda para Buenos Aires foi sua namorada argentina, que ele conheceu faz 5 anos pela Internet. A Marjorie e a Rebecca, vieram para cá com uma bolsa de estudos, e estão estudando em faculdades daqui.

Michael (australiano) e sua namorada; Marjorie (francesa) e Michael (alemão);Rebecca (alemã) e eu
E eu, vim pra Buenos Aires para estudar espanhol, descansar e pesquisar temas que me interessam, especialmente sobre arte e cultura latino-americana. E por aqui continuo, cumprindo minha missão...
Besos.
Obs - Somente lembrando: para postar comentários sem ter que se cadastrar, criei um usuário genérico.
Usuário: amigosdaana
Senha: amigos
martes, octubre 04, 2005
La ciudad parte 3: a cultura de rua
Quando me perguntam o que eu mais gosto em Buenos Aires não tenho dúvidas em responder: poder caminhar. Isso é uma coisa que sempre foi meu “sonho de consumo” em São Paulo, mas que eu nunca pude desfrutar. E aqui eu faço uma distinção entre “andar” e “caminhar”. Em São Paulo, anda-se de um lugar para o outro. Como disse uma vez o Isay Weinfeld, “São Paulo é uma cidade de pontos finais, e não de trajetos”. Sempre se têm em mente o destino final, o “quanto tempo leva daqui até lá”, e somente aos finais de semana é que se pode caminhar sem ter a preocupação do lugar e do tempo. Aqui, no dia a dia, é possível caminhar, fazer um percurso, um trajeto. Pode parecer meio simples, mas sinceramente, faz toda a diferença. A diferença entre “ir de um ponto a outro”, e entre “ir de um ponto, caminhando por tal trajeto, até chegar ao outro”.
Em primeiro lugar, a topografia da cidade facilita. Buenos Aires é uma cidade plana, não existem ladeiras, e uma caminhada de 15 quadras é feita com a maior tranquilidade. O sistema de transporte coletivo também ajuda, e muito; se o trajeto é um pouquinho mais longo, sempre vai ter um “102”, ou um “86”, ou uma l
inha “D” do metrô que te ajuda. Por isso eu me orgulho de, em quase 2 meses, ter andado raríssimas vezes de táxi.
Outra coisa, aqui as ruas aqui são convidativas. Por mais simples que sejam, sempre há uma banca de flores, um prédio, uma árvore, um café, detalhes que tornam qualquer caminhada, por mais apurada que eu esteja, um motivo de prazer. Existem inúmeras praças, as quais, para mim, são a salvação de qualquer cidade grande. Eu sinto falta em São Paulo de boas praças, daquelas para se sentar nem que por 5 minutos, observar as crianças que brincam, os velhinhos que descansam ou simplesmente vêem a vida passar, os casais que aproveitam uns 10 minutos livres pra namorar; praças que existem para que a população possa desfrutá-las, e não para “ornamentar” um bairro. Essas fotos são da Plaza Sobral que fica a duas quadras da minha casa.
Isso faz com que aqui em Buenos Aires haja essa “cultura da rua”. Por isso que os prédios de apartamentos não precisam ter complexos desportivos ou de lazer, basta caminhar por algumas quadras para se chegar a algum parque ou praça, basta ir até a esquina pra se
encontrar um café onde você pode ler tranqüilamente o seu jornal sem precisar ficar trancafiado em casa.
Enfim, espero que quando volte pra São Paulo eu possa levar comigo esse hábito, ainda que a cidade não seja lá das mais convidativas para se caminhar. Também espero voltar com esse olhar mais afiado para perceber coisas que antes eu não percebia.
Ah, e por falar em voltar para São Paulo, meu retorno foi postergado para o meio de Novembro... mas eu volto, viu? Besitos.
Em primeiro lugar, a topografia da cidade facilita. Buenos Aires é uma cidade plana, não existem ladeiras, e uma caminhada de 15 quadras é feita com a maior tranquilidade. O sistema de transporte coletivo também ajuda, e muito; se o trajeto é um pouquinho mais longo, sempre vai ter um “102”, ou um “86”, ou uma l
Outra coisa, aqui as ruas aqui são convidativas. Por mais simples que sejam, sempre há uma banca de flores, um prédio, uma árvore, um café, detalhes que tornam qualquer caminhada, por mais apurada que eu esteja, um motivo de prazer. Existem inúmeras praças, as quais, para mim, são a salvação de qualquer cidade grande. Eu sinto falta em São Paulo de boas praças, daquelas para se sentar nem que por 5 minutos, observar as crianças que brincam, os velhinhos que descansam ou simplesmente vêem a vida passar, os casais que aproveitam uns 10 minutos livres pra namorar; praças que existem para que a população possa desfrutá-las, e não para “ornamentar” um bairro. Essas fotos são da Plaza Sobral que fica a duas quadras da minha casa.
Isso faz com que aqui em Buenos Aires haja essa “cultura da rua”. Por isso que os prédios de apartamentos não precisam ter complexos desportivos ou de lazer, basta caminhar por algumas quadras para se chegar a algum parque ou praça, basta ir até a esquina pra se
Enfim, espero que quando volte pra São Paulo eu possa levar comigo esse hábito, ainda que a cidade não seja lá das mais convidativas para se caminhar. Também espero voltar com esse olhar mais afiado para perceber coisas que antes eu não percebia.
Ah, e por falar em voltar para São Paulo, meu retorno foi postergado para o meio de Novembro... mas eu volto, viu? Besitos.
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