martes, mayo 08, 2007

Chile ou China?


A semelhança entre Chile e China não se resume a apenas uma sílaba. Uma das primeiras coisas que eu notei aqui é a quantidade enorme de restaurantes chineses. Em todas as partes da cidade há uma China House, Chine River, ChengCheng, Liu Liu e por aí vai.

Só aqui perto de casa há pelo menos uns 5 restaurantes.

E quando os chilenos imitavam os chinitas falando, trocando o R pelo L, pensei que era pura piada. Até que um dia, domingo, às 16h45 saímos em busca de algo para comer. Entramos em um dos restaurantes chineses aqui por perto e a chinesinha logo na entrada nos perguntou:

- van a comel aqui?

Diante da resposta afirmativa, ela disse com carinha de chinesa risonha:
- aaaah... es que nosotlos celamos a las 5!

Não nos restou nada mais a não ser levar a comida para casa e segurar o riso.

miércoles, abril 25, 2007

Drexler + Moska


Ontem tive a oportunidade de ir ao único dia de apresentação do Jorge Drexler aqui em Santiago. Eu, que como muitos, só o conheceu depois do Oscar, fiquei supresa com o tremendo show que ele comandou. Gosto muito das suas músicas mas tinha a impressão de que seria um show morno. Bem, foi só impressão mesmo.

Esse uruguaio é MUITO BOM. Conquistou o público de cara com muita simpatia e um senso de humor único. A banda era formada por músicos que, como ele, eram lindos e super competentes, os arranjos misturavam sem pudor música eletrônica vinda de um Macintosh com instrumentos clássicos como violino e contrabaixo. Sem dúvida um dos momentos mais marcantes foi quando Drexler cantou à capela "Al otro lado del rio" (que bom seria se o Antonio Banderas estivesse vendo...). Além disso, outros pontos altos:

Bem ao estilo "banquinho e violão", ele cantou lindamente "A Rita" de Chico Buarque num português encantador, e em seguida emendou para "Don de fluir" numa levada bossanovística impecável. Quase chorei.

O dueto com Paulinho Moska. Sim, o Moska fez a abertura do show cantando sozinho 3 músicas e voltou ao palco para dividir mais 2 canções com Drexler. Sensacional, o público adorou, e o Moska se demonstrou extremamente simpático (e eu que nunca fui muito sua fã, queimei minha língua).

No final, já no segundo bis, todos estavam extasiados - público e músicos. Terminada a última música eles se abraçavam, pulavam, tiravam fotos do teatro lotado com suas próprias câmeras, como se estivessem atrás das cortinas. Mas estavam ali, para todo mundo ver e se emocionar.

Hoje o Moska faz um show individual num Centro Cultural aqui da cidade. Tomara que os chilenos se rendam aos seus encantos como eu também me rendi.

Ao final, a soma Drexler + Moska foi surpreendente e inesquecível.
obs - para ver meu texto sobre esse show no Zancada, clique aqui.

domingo, abril 22, 2007

Minha primeira vez

“Sentia que seu corpo balançava no mesmo movimento que as janelas, a cama, os lustres. Seus sentimentos eram confusos – medo, excitação. Não sabia em que pensar, queria que tudo passasse rápido, mas ao mesmo tempo desfrutava esse momento único. Era seu primeiro terremoto.”

Para mim, um terremoto sempre foi sinônimo de catástrofe. Cresci vendo as imagens dos tremores na Cidade do México, São Francisco, Tókio e tantos outros lugares, e agradecia por viver num país onde isso não acontecia. Mas me mudei pro Chile e quando me disseram que aqui os tremores eram comuns, não pude deixar de me assustar. Por isso desde que eu cheguei no Chile venho tentando me acostumar à idéia de que cedo ou tarde iria passar por uma situação assim. E nesse fim de semana finalmente tive minha “primeira vez”.

Dormia tranquilamente quando tive a sensação de que alguém empurrava a minha cama. Despertei e escutei o barulho da televisão se movendo, os vidros tremendo. Não podia acreditar! Foram menos que 3 segundos, mas o que eu senti depois foi uma mistura de medo e alegria. Medo porque obviamente foi algo que eu nunca havia enfrentado e sentir a terra se movimentando do nada não é algo muito agradável. Há pouco tinha visto as notícias de um terremoto na região de Aisén (Sul do Chile) e uma reportagem na TV sobre o terremoto de São Francisco em 1989. Imaginar que algo parecido poderia acontecer comigo foi medonho. Mas por outro lado senti uma surpreendente alegria, já que finalmente descobri qual é a sensação de vivenciar um tremor de terra, foi como uma vitória pessoal. Sei que outros mais fortes virão, mas eu já me sinto mais preparada (ou não).

Depois desses 3 intermináveis segundos, demorei pelo menos mais 30 minutos pra voltar a dormir. Mas no dia seguinte de manhã pensei que no Brasil não há terremotos, mas que eu já passei por sustos muito piores... e fiquei tranqüila.
Obs - para ler a versão desse texto em miguelito no Blog Zancada, clique aqui.

lunes, abril 16, 2007

Entramos pelo cano



Se por um lado aqui em Santiago há coisas ultramodernas, há outras que simplesmente não têm explicação de tão, de tão... tão. Uma delas é o sistema de escoamento de água dos prédios. Se alguém lava a cozinha ou o terraço, na hora de escoar a água não há um sistema interno de canos. Cada apartamento tem o seu próprio cano externo, e é por aí que a água sai. A foto aí em cima diz tudo né? É do prédio da frente. O tiozinho lavou a cozinha, jogou a água pelo cano e quem estiver passando embaixo que se cuide para não levar água suja na cabeça. Aqui no prédio o sistema é (ou era) o mesmo, mas houve tantas reclamações que proibiram de jogar a água pelo cano de escape. Ou seja, agora, se quisermos lavar o terraço tem que ser com produtos sem enxágüe. Vai entender...

martes, abril 03, 2007

Club da Luluzinha Chile

O "Clube da Luluzinha do Chile"

Pra você que, como eu, já estava meio de saco cheio do Orkut, realmente há que admitir que ele serve pra muitas coisas boas. Uma delas foi fazer uma comunidade de "luluzinhas no Chile", que reúne somente mulheres que vivem aqui. Pode parecer meio bobo, mas vocês não fazem idéia a diferença que faz conhecer outras mulheres que estão aqui, algumas pelo mesmo motivo que eu, outras por razões totalmente distintas. Mas o que nos une é estarmos vivendo fora do Brasil, sentirmos falta dos amigos e da família, sofrermos um pouquinho com um povo que às vezes se mostra fechado e desconfiado, mas não desistirmos de melhorar cada vez mais nossa vida.


Sábado passado fizemos o primeiro encontro oficial do "Clube da Luluzinha do Chile", no salão do prédio de uma das meninas. Imaginem cerca de 30 mulheres, brasileiras, sendentas por conversar em português, dar risada, fazer fofoca, falar mal dos homens, dos chilenos, das chilenas... o porteiro do prédio, coitado, não tava entendendo nada, parecia barata tonta.


Mas foi muito bom. Cada uma contou suas histórias, uma mais interessante que a outra. E o que ficou foi o desejo de continuarmos nos encontrando, matando as saudades desse nosso país que tanto amamos, e podermos contar com "gente como a gente".


PD - às minhas amigas de sempre e para sempre: nada substitui vocês!!!

martes, marzo 27, 2007

Meu primeiro Brasil vs Chile... no Chile

Sábado passado teve jogo de futebol né? Brasil e Chile né? E o Brasil meteu 4x0 nos chilenos né? E eu estava no meio do território inimigo!
Tenho que confessar uma coisa: foi gostoso. Porque antes do jogo os chilenos, que apesar de respeitarem e temerem horrores a seleção canarinha, estavam bem confiantezinhos viu? "Sí, ellos tienen Ronaldinho y Kaká, pero nosotros tenemos a Mati Fernández, Suazo, Maldonado! O sea, la 'roja' no va a temer a la 'amarilla'!"
Então tá então.
Começou a partida. Eu estava no apartamento sozinha com a Sra. Nancy, a mulher que vem todo sábado fazer a faxina aqui em casa. O Claudio tinha saído pra buscar não sei o quê não sei onde. 1x0, 2x0. Intervalo. Chega o Claudio: "por queeee tiene que ser siempre asi??!"
Minha sorte é que ele não é fanático por futebol.
"Por Dios, que por lo menos no nos metan 5x0, por favor!" me dizia meu chileno preferido.
Segundo tempo: 3x0, 4x0... pelo menos Deus escutou as preces do Claudinho e paramos no 4.
E o mais estranho de tudo? Gritar gol sozinha. Vocês já imaginaram assistir a um jogo da seleção em que a cada gol do Brasil o silêncio parece que aumenta?? Pois assim foi.
Fiquei meio sem jeito, porque de verdade os chilenos não esperavam e ficaram envergonhados diante de tamanha lambança da canarinha em cima da vermelhinha.
Mas tenho que confessar: como é bom!
Ah, e uma coisa engraçada para terminar: "ano" aqui significa "ânus". "El ano" significa "o ânus".
Frase do jogo: "y el jugador chileno pelea por la pelota con 'elano'!".

viernes, febrero 16, 2007

Chuva e frio, até que enfim!

Pode parecer meio estranho o título desse post, mas é a mais pura verdade. Desde que eu me mudei pra Santiago, em Novembro do ano passado, não tinha pegado um só dia de chuva e clima fresco. Foi sol, céu azul e calor TODOS os dias, nem uma chuvinha pra refrescar o fim de tarde e o começo da manhã.

Pois bem, hoje, para a surpresa de todos os chilenos, o dia amanheceu completamente fechado, com muita chuva e frio... E a verdade é que eu não pude conter um sorriso de alegria quando vi esse tempo "feio".

É muito curioso, porque eles estão tão acostumados a climas definidos (verão = tempo seco e calor; inverno = chuva e frio), que qualquer mudança inesperada é motivo de repercussão. Agora mesmo, os programas matinais só falam disso, entrevistam especialistas, mostram cenas das ruas cheias de água, o povo se agasalhando. Mal sabem eles que em São Paulo isso passa o ano inteiro.

martes, enero 30, 2007

Uma pequena gigante que emocionou a todos


Na quinta passada o povo santiaguino amanheceu assustado. Pela cidade, vários ônibus e carros acidentados, trens descarrilados, postes tombados... tudo isso por causa de um rinoceronte perdido, que chegou da África por debaixo da terra até as minas de cobre do Norte do Chile, e depois veio caminhando até chegar em Santiago. Ele, assustado, saiu causando todos esses estragos, mas por sorte uma menina gigante estava por chegar para poder pegá-lo e levá-lo de volta a sua terra natal. Os noticiários na TV mostravam passo a passo como estava essa inusitada aventura.
Acidente de trem causado pelo rinoceronte

Estão achando que eu fiquei louca? Pois perguntem a todas as pessoas daqui pra ver se isso não foi verdade...
Essa história é parte do espetáculo "A pequena gigante em busca do rinoceronte perdido", da Cia. de teatro de rua Royal de Luxe, que veio da França para encerrar o festival de teatro Santiago a mil.
Tudo isso que eu contei a vocês realmente aconteceu. A Pequena Gigante é uma marionete de mais de 5 metros de altura que, ao ser manipulada por 18 homens, caminha, dança, dorme, faz xixi (sim!!!), pega crianças no colo e olha as pessoas como se fosse de verdade (aliás, pra mim ela é de verdade - ela me olhou, juro!!!).

A Pequena Gigante fazendo sua siesta


A Pequena Gigante percorreu as ruas de Santiago de sexta até domingo, fazendo pausas para a siesta, e dormindo à noite. Sua aventura pela cidade terminou no domingo, quando ela finalmente encontrou o rinoceronte (também manipulado por outros tantos homens), e os dois seguiram juntos de volta à França.
Um show de teatro de rua, um show de organização, de envolvimento de toda uma cidade em torno a um espetáculo mágico. Centenas de milhares de pessoas (inclusive eu), foram às ruas para vê-la ainda que fosse por um instante. Me emocionei como há tempos não me emocionava, me senti como se tivesse de novo 5 anos de idade, me empolguei ao vê-la desfilando seus lindos olhos grandes ao som de uma maravilhosa banda de música ao vivo.
O festival Santiago a Mil aconteceu durante todo o mês de Janeiro e, além de apresentar peças nacionais, trouxe à cidade nomes como Pina Bausch (da qual eu consegui ver um ensaio aberto) e Peter Brook.
Um exemplo de organização e a prova de que a arte de qualidade sempre é muito bem-vinda em qualquer cidade e por qualquer pessoa.
No ano que vem tem mais, e espero ver gente do Brasil nos palcos e ruas de Santiago...

Para ver mais imagens da Pequena Gigante, acesse: http://www.stgoamil.cl/galerias.htm


viernes, enero 05, 2007

Año Nuevo


DSC05460
Originally uploaded by anapaula_aleixo.


FELIZ AÑO A TODOS!!!
Esse foi meu primeiro Reveillón fora do Brasil. Já estava meio preparada para as diferenças, a começar pelo nome - você fala Reveillón e eles não entendem nada (precisam aprender francês haha). Além disso, aqui não tem nada disso de se vestir de branco, pular 7 ondas... em compensação tem uma tradição que eu achei bem curiosa: tem gente que um pouco antes da meia-noite dá uma volta no quarteirão com uma mala de viagem, para que o ano venha cheio de viagens... imagina a cena.
Bom, voltando ao tema: fiquei feliz que fomos a Viña del Mar, pois passar o Reveillón na praia é outra coisa. Fomos eu, Claudio, Darío e um casal de amigos, Álvaro (Perico) e Dafne.
Foi um fim de semana regado a muito vinho e mantido a muito churrasco, como gostam os chilenos.
No dia da virada fomos para Valparaíso, cidade vizinha a Viña, para ver os fogos de artifício. Como precisávamos de emoção, a saída de Viña, que havíamos programado para as 22h30 (já que teríamos que pegar estrada), só aconteceu às 23h15. Imaginem o meu desespero com a possibilidade de passarmos o Reveillón em plena estrada... Bom, mas por sorte chegamos a Valparaíso às 23h45 e fomos direto a um escritório que ficava no 15º andar, de frente para o porto, onde haveria o show de fogos.
As ruas estavam cheias, as pessoas comemoraram bastante, a queima de fogos foi linda e aconteceu por toda aquela região litorânea, desde Valparaíso até Con Con (como se fosse desde Maresias até Juqueí (guardadas as devidas belezas).
Mas realmente é uma sensação estranha passar o Reveillón fora do Brasil. Apesar de ter feito todas as minhas mandingas, estar vestida 100% de branco (acho que pensaram que eu era uma médica de plantão), ter pulado 7 ondas no dia seguinte (e quase ter congelado meus pés) e de estar ao lado de gente que amo, não tem jeito: Reveillón é no BRASIL.

Aí vai um videozinho que fiz da queima de fogos (que durou 20 minutos). Para ver todas as fotos, do Natal no Brasil e do Reveillón no Chile, basta clicar na foto acima.

martes, diciembre 26, 2006

"Férias"

Estou de "férias" do Chile por 2 semanas... volto no dia 30 de dezembro, pra dizer como é o Reveillón pros lados de lá...
beijos!

martes, diciembre 12, 2006

E eu que pensei que meu nome era comum…

Não sei o que poderia haver de estranho em juntar dois nomes tão comuns – Ana e Paula.

Pois por algum motivo aqui no Chile assim é. Não que achem meu nome estranho, mas simplesmente quase não existem Anas Paulas chilenas. Posso dizer, pela primeira vez na vida, que tenho um nome “diferente”. Outro dia até disseram que acham meu nome “cool”. Bom, pelo menos não vou passar pelas crises que tinha no Brasil, quando tinha que ligar pra alguém e ficava horas pensando como eu iria me apresentar pra pessoa saber que eu era eu... (oi aqui é a “Ana”, “Aninha”, “Papoula”, “Ana Aleixo”, “Ana da ESPM”!!!)

O que mais me intriga é como podem achar Ana Paula um nome estranho, se aqui o mais comum são os nomes compostos. Mas nomes-nomes mesmo, e não Ana Maria, Maria Fernanda, Ana Carolina, como nós estamos acostumados.

Por aqui os nomes compostos são: Carolina Fernanda, Paula Ximena, Gabriela Florencia, Javiera María, Francisca Verónica e por aí vai... e depois vêm dizer que o meu simples “Ana Paula” é que é estranho?? Vai entender...

domingo, diciembre 10, 2006

E ele se foi.

Posso dizer que vivi um dia histórico no Chile. O velho Pinochet, que já parecia ser imortal, hoje passou para o andar de cima (ou para o de baixo). O Chile pode ser considerado um país dividido entre os que o apoiam e os que não o apoiam. Existem esses dois grupos, ainda que dentro deles haja pessoas mais ou menos fanáticas, mais ou menos engajadas.

Mas eu me impressionei ao saber que há tantas pessoas que o idolatram, tratando-o como o homem que salvou o Chile, que impediu que o caos aqui se instalasse. Aliás, tenho lido vários comentários de pessoas que justificam a ditadura Pinochet com suas conquistas para o desenvolvimento econômico do Chile. Foi o seu governo que criou as bases econômicas para que o Chile se tornasse o país mais desenvolvido da América Latina. E foi seu governo que assassinou mais de 3.000 pessoas, torturou outras 30.000, e fez com que 1.000 famílias não soubessem até hoje onde estão parentes mortos.

Não existe justificativa para essas mortes. Nem desevolvimento econômico, nem nada.
Não quero aqui me alongar muito, pois há gente muito mais qualificada que eu que certamente saberá analisar melhor o que significou essa ditadura. Só quero escrever que eu não festejei a morte dele, aliás, como muitos chilenos. Teríamos festejado se ele tivesse pago por pelo menos 1% do que fez.

Já que morrer vamos morrer todos, que o castigo dele tivesse sido à altura dos seus feitos.

viernes, diciembre 08, 2006

Idioma chileno - pronúncias

Sim, aqui no chile não se fala castellano, mas chileno. Eles usam tantas expressões e palavras próprias e têm uma maneira tão peculiar de pronunciar as palavras, que falam praticamente um novo idioma.

Neste post vou falar um pouco da pronúncia de algumas letras e encontros vocálicos (esse eu busquei no meu arquivo de aulas de Português!).

Por exemplo, uma das coisas mais difíceis pra mim é identificar o “b” e o “v”. Simplesmente porque eles pronunciam essas duas letras da mesma forma. É um “b” quase “v”. Ou vice-versa. Por exemplo: quando pronunciam “Bilbao”, se escuta algo como “bvilbvao”. Ou então “bonito”, é como “bvonito”.

Outra coisa que eu achei muito engraçada na pronúncia deles, é que eles simplesmente não falam o som exato do SH ou do CH. Principalmente para as palavras que estão em inglês, a coisa fica bem curiosa. Portanto, você não vai ao “show” do U2, você vai ao “tchow” do U2. Muito menos passeia no “shopping”, mas sim no “tchoping”. E você não come um sushi ou um sashimi, mas sim um "sútchi" e um "satchími".

O som do G e o J, em palavras de outros idiomas, também sai como uma mistura de YE, YI, algo assim. Portanto, Jennifer é “Yienifer”. Maragogi, é “Maragoyi”. Gmail é “Yimail”.

Enfim, falar castellano no Chile é praticamente falar um idioma dentro de outro. No mínimo, curioso.

Quando os Moura e Souza encontraram os Guerra


O encontro das duas famílias sempre é um momento de apreensão. Apesar de saber que meus pais iam se dar muito bem com meus sogros e cunhados, sempre dá aquele nervosinho. Mas graças a Deus minhas expectativas se confirmaram e tudo foi perfeito. Pai e mãe ficaram aqui em Santiago de 23 a 29 de novembro. Agora fica a esperança de um próximo encontro em breve!

As fotos do encontro (e todas as outras aqui de Santiago) você pode ver no meu Flickr

jueves, diciembre 07, 2006

Cidade grande do interior

Para mim até agora, viver em Santiago é como morar numa cidade grande do interior. Tem coisas de cidade grande, tem coisas de cidade do interior. O bairro que eu estou morando, por exemplo. Eu caminho aqui pelas ruas e me sinto em Sorocaba, Botucatu etc. Pode ser uma segunda-feira, 3 horas da tarde, e não escuto barulho de buzina, só canto de passarinho. Paro embaixo de uma amoreira e como amoras madurinhas. Caminho mais um pouco e entro numa pracinha com crianças brincando (e aos finais de semana até realejo tem). Mas se ando mais um pouco, chego ao supermercado Jumbo ultra mega plus, a uma Starbucks com Internet wi-fi, a uma avenida super movimentada... e aí já me lembro que estou numa cidade grande.

Por enquanto está assim. Estou adorando o meu bairro, a vista do meu apartamento (aí na foto ao lado), os vizinhos (até agora todos super simpáticos). Tá, sei que isso tá muito "romanticozinho", mas tem coisa melhor que ir se apaixonando aos poucos por uma nova cidade?!?!

lunes, diciembre 04, 2006

E quando a terra tremer???

Uma das coisas que mais me causou estranheza, para não dizer que me assustou, desde que cheguei aqui, foi saber que no Chile é comum ter terremoto. Acreditem se quiser, todos com os quais conversei se lembram de terem sentido pelo menos 1 tremor de terra. Mas aqui eles tratam disso com tanta naturalidade como se estivessem falando de uma tempestade de verão, às quais nós brasileiros estamos mais que acostumados. Aliás, quando um chileno que esteve em São Paulo me descreveu o que sentiu quando vivenciou uma chuva de verão, pensei: para eles, esses são os nossos terremotos.


Também me lembro quando fui pela primeira vez a um cidade de praia daqui e me deparei com placas que indicavam rotas de evacuação em caso de tsunami. Meda. E aqui no meu prédio, então?? O que vocês sentiriam se toda vez que fossem tomar o elevador se deparassem com a plaquinha aí ao lado “em caso de incêncio ou de terremoto não use o elevador”?

Mas para que todos se tranquilizem, apesar de serem comuns no Chile, os terremotos não causam grandes transtornos em Santiago. Certamente os estragos que as chuvas fazem no Brasil ganham de longe dessas “tremedinhas” ingênuas...
Ainda não senti meu “primeiro tremor”, mas se isso ocorrer um dia... conto pra vocês se eu me portei bem ou se comecei a rezar “Santa Bárbara, São Jerônimo” que nem uma louca (essa expressão já foi muito usada pelos Moura e Souza).

E, por incrível que pareça, os tremores acabam por deixar a cidade mais bonita. Isso porque, por questões de segurança, a maioria dos prédios aqui não tem mais do que uns 14 andares. É uma sensação que há muito eu não sentia: olhar ao redor e ver 100% do céu. Ao final, sofrer com umas tremidinhas de vez em quando até que vale a pena.

miércoles, noviembre 29, 2006

O primeiro dia de aula... em outro país.



Faz 2 semanas que estou vivendo em Santiago. Nunca imaginei que um dia eu iria sair do Brasil, mas também não me surpreendi com o caminho que tomei. Meus primeiros dias se pareceram como de outra viagem qualquer, tinha a sensação de que em uma semana iria voltar a São Paulo e iria seguir com minha vida. Mas depois de alguns dias é que você se dá conta que não se trata de uma viagem de turismo, e aos poucos se começa a tentar se acostumar a uma nova cultura, novas expressões, novos programas de tevê... e vêm as perguntas: quem é Pamela Díaz? O que significa “pasarlo chancho”? Como eles podem dizer “Irarrázaval” tão rapidamente? Será que algum dia eu vou conseguir pronunciar “huevón” como os chilenos? (em tempo: breve post sobre as gírias e expressões chilenas).

Eu me sinto como se estivesse começando a estudar num colégio novo, onde os outros alunos já se conhecessem faz anos e eu fosse a mais nova aluna. Dá medo, mas também é empolgante. Porque eu me lembro que quando era pequena e começava um novo ano letivo, eu morria de vontade de saber quem seria da minha turma, quantos alunos novos estariam na minha classe, que aulas eu iria ter. E é exatamente assim que eu me sinto. Adoro novidades e, portanto, já quero conhecer meus novos "coleguinhas", meus novos professores, as novas lições de casa.

A verdade é que eu acho que todos nós temos constantemente um primeiro dia de aula. Seja no Chile ou no Brasil, no trabalho ou na família, a melhor coisa da vida é continuar aprendendo e conhecendo coisas e pessoas novas. E o melhor é que num colégio, no final do ano, todos acabam se divertindo com as histórias e recordações de quando um era estranho para outro... e é assim que eu acho que vai ser: agora, eu e o Chile ainda estamos nos estranhando um pouco, mas no final tenho certeza de que seremos melhores amigos.

Em tempo: aos meus amigos e a minha família, que sempre serão meus amigos e minha família, digo: o coração da gente é infinito. Portanto, todos os que vierem a se somar às minhas amizades NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM substituirão vocês.

Esse post também foi publicado no Zancada, blog aqui do Chile para o qual eu escrevo. Para ler a versão em "miguelito", clique aqui.

jueves, noviembre 23, 2006

Ahi estamos, poh!

Depois de alguns meses de silêncio total, aqui estou eu de volta...

Muita coisa passou e eis que me vejo do outro lado da Cordilheira dos Andes. Quem diria!

Sempre que possível vou escrever sobre essa aventura que a vida me fez seguir. E principalmente sobre as loucuras desse lugar. Porque se tem uma coisa que eu adoro fazer é reparar na loucura dos outros! hihihi ou melhor jijiji!

Até mais.

sábado, febrero 11, 2006

Dinheiro compra Educação???


Há umas duas semanas fui assistir a um filme com uma amiga no Shopping Iguatemi. O fato de pagar 20 reais para entrar no cinema não me assustou, primeiro por estarmos em São Paulo, depois por estarmos no Shopping Iguatemi, e depois por eu ter descoberto que os lugares eram marcados. "Dinheiro compra comodidade". Antes da sessão, caminhamos pelo shopping e a minha aventura pelo mundo da falta de educação começou. Grupos de adolescentes, obviamente custeados pelos pais, faziam a farra nas escadas rolantes, apertando o botão de emergência e travando os degraus cheios de gente. "São adolescentes, talvez eu já tenha tentado fazer isso quando tinha essa idade". Tentei pensar assim. Entramos na Sala de Cinema. O filme era o do George Clooney, "Boa Noite, e Boa Sorte", EXCELENTE por sinal. Recomendo a quem queira ver uma história dos bastidores da imprensa americana em pleno auge da Guerra Fria. Ou seja, puro conteúdo.
Entretanto, mal sabia eu que o enredo da história seria um pouco diferente. A trama que passava no telão ficou pequena diante da trama que acontecia nas poltronas da sala. Conversas, comentários, risadinhas inoportunas, foram apenas o começo da história. Celulares que tocavam e eram atendidos, "tiozinhos" que brigavam com os "pivetes", falta de respeito, falta de educação. Ao nosso lado, o trio parada dura, 3 senhoras que certamente estavam vestiam roupas que, juntas, custavam uns 10 salários mínimos, falavam sem parar. A um dado momento, minha calma foi pras cucuias e eu soltei um sonoro "SSSSHHHHHHHHHHHHHH". A reação das digníssimas? "Será que foi com a gente?"
ONDE É QUE ESTAMOS, DEUS MEU?!?!?
CADÊ O BOM SENSO NESSE MUNDO???
Se não gosta do filme, pegue a sua pipoca e saia de fininho, mas não venha atrapalhar as pessoas às quais 20 reais fazem, sim, diferença no orçamento, e que pagaram essa quantia em troca de um pouco mais de comodidade.
Então, é isso! DINHEIRO COMPRA COMODIDADE, MAS NÃO COMPRA EDUCAÇÃO E, MUITO MENOS, BOM SENSO.
Após essa inesquecível experiência, comentei com meus conhecidos o quão decepcionada fiquei com os freqüentadores do tão exclusivo Shopping Iguatemi. E qual não foi minha surpresa ao saber que boa parte das pessoas com as quais eu conversei também tinha tido a mesma impressão sobre esse cinema!
Minha amiga, ao sairmos da sessão, foi enfática: "agora eu me lembrei porque não estava mais vindo ao Cinema no Iguatemi".
Sim, infelizmente porque parece que aqueles que têm din din de sobra não sabem respeitar aqueles que valorizam o din din que têm.
No próximo filme, prefiro chegar um pouquinho mais cedo pra garantir o meu lugar, do que ter o lugar garantido, mas o respeito não.

miércoles, diciembre 14, 2005

Voltando à realidade?

Voltei pra São Paulo na sexta passada e ainda estou tentando me readaptar a essa cidade, se isso for possível.

A sensação de angústia, medo e ansiedade que me tomaram quando descia o avião misturaram-se com a impressão de que nada mudou e de que eu somente havia passado um fim de semana longe de casa.

Mas muita coisa mudou sim.

Em meio ao trânsito que parece só piorar, ao "fenômeno Bruna Surfistinha" (eu poderia ter ficado sem saber dessa), à lama no Planalto e ao nervosismo que o futebol ainda me causa, consegui listar algumas coisas das quais certamente vou sentir saudades em Buenos Aires:
- Poder caminhar pelas ruas
- Poder viver (bem) sem carro
- Os cafés com medialunas
- A linha de ônibus 110
- As praças, parques e a quantidade de árvores que deixam qualquer paulistano envergonhado
- O bairro de Palermo Viejo
- Os vinhos bons que custam menos de 10 pesos
- Os asados
- O sorvete de doce de leite caseiro com brownie da Persicco
- O sotaque porteño
- Os amigos
- O apartamento 10ºD

Por outro lado... não posso deixar de mencionar algumas coisinhas que, sinceramente, podem ficar lá na Argentina de vez:
- A poluição, principalmente dos ônibus
- A falta de educação dos motoristas argentinos para com os pedestres
- A imagem do Maradona como o Deus do universo
- O tango que toca incessantemente pelas ruas
- Os donos do meu ex-apartamento

Entre tantas coisas, só posso citar a frase do mestre. E ainda que ela tenha se tornado um chavão, faz todo o sentido.

"Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena"

Vou organizar as idéias, porque agora o momento é de ebulição, e voltar a escrever em breve.